compulsive-illusion.qualquercoisa.org
Pecadora de fúteis e sucintos momentos
Tuesday, December 29, 2009 - 01:21

Pecadora de fúteis e sucintos momentos Eu vi a chuva cair, mas não consegui senti-la na minha pele. De repente algo estava mudado. De repente algo muito real já não era o mesmo. Foi como o silêncio penetrante que grita a dor de quem o sente e de quem o ouve. Não entendi muito bem o que estava acontecendo, mas simplesmente sabia que estava. Se fosse possível parar aquele instante, veria apenas uma grande credulidade infantil reinando em meus olhos, até então, vazios de qualquer salvação. Ilusão seria simplesmente bela e tentadora demais se não fosse a falta que a falta me fazia. Mas eu me encontrava até mesmo pior do que a inércia, que mantêm os corpos sempre como estão. No meu caso, sem nenhum sentimento volúvel, sem nenhuma sensação efusiva ou sequer um sopro fugaz de alguma boa lembrança. E eu, eu que sempre guardei os meus míseros sorrisos pra você, porque pra você eu teria a certeza de que eles seriam sinceros, você não estava lá para recebê-los quando esses escaparam da minha boca sedenta por alguma gota de amor. Não, não foi culpa minha. Eu tentei lhe dizer o que você deveria ter feito com esses pequenos pedaços de infernos perdidos, mas como você pode dizer algo quando há apenas lágrimas a derramar? A mudança voltou a reivindicar sua tão indesejada presença e eu, como qualquer pecadora de fúteis e sucintos momentos, me deixei levar pela sua doce brisa da incerteza. E eu, que antes desejaria mais do que tudo sangrar apenas para saber se ainda restara algo de vivo dentro de mim, fui tomada por essa imensa luz de alívio e esperança que habita os corações daqueles que por não conhecer o pote de ouro no final do arco-íris, se contentam em ter das dores, a menor delas. E dentre os raros e inexatos ímpetos de coragem que me atingem, me jogar naquela maré de imprevisibilidades parecia ser a melhor coisa a se fazer. Pior não ficaria, afinal se você soubesse como eu me sinto por dentro, simplesmente desejaria nada além da minha morte. Não vou fingir que não me preocupo com esse redemoinho de pesadelos que rodeiam não só minhas noites, mas também todos os meus momentos de devaneio, pois eles estão aqui para ficar. E você, você só tem uma coisa, uma única coisa, aquela coisa que você nunca teve – a memória ilusória de alguém que por você se perdeu num instante vazio de olhares que nunca se repetiu. Assim aprendi a lidar com a pior das expectativas, se é que existe uma, pois sei que estou à salvo. À salvo das sequelas que as suas decepções me provocam.

Rock me baby!