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Devaneios desmedidos
Thursday, July 08, 2010 - 00:53

Eu nunca procurei por amor verdadeiro, apenas por experiências que jamais pudessem se repetir. Agora esse eco cheio de cobranças e penalidades pelos meus pensamentos impuros e menos condizentes ao desejo supremo de tantos invade minha cabeça, suprimindo meus anseios mais selvagens e efusivos. Esse eco chamado oportunidade perdida me faz imaginar se estarei fazendo a coisa certa sacrificando meu ímpeto de imprevisibilidades para, em troca, ter a certeza da certeza plena. Mas então uma angústia estonteante aperta cada vez mais forte meu peito e o lugar a que chamam de coração como se implorasse avidamente para que eu escolhesse o caminho o qual pudesse de fato me sentir viva dentro dessa matéria orgânica que tantas vezes me limita e me impede de viver o impossível e o improvável. E nesse momento mau iluminado em que escrevo, me pergunto se esse não será apenas mais um dos meus caprichos que nunca poderão ser satisfeitos, pois a cada vez que dou um passo em direção à sua realização, dois passos são dados para trás ao lembrar tudo o que estaria perdendo. Eu sei que sou feita de contradições, conflitos e complexos, mas também sei que esse eco repercutindo dentro da minha cabeça é, no fundo, o que mais desejo me livrar mesmo que para isso seja preciso abdicar da minha única base que me mantém em pé, a qual é causadora desse eco remanescente na minha mente vazia faminta por novos mundos que nunca vi. Eu sempre disse a mim mesma que era pior se arrepender do que não fez a se arrepender do que fez. Mas como chegar à uma maldita conclusão se ao escolher o caminho sem amarras estarei deixando de fazer você acontecer? Vivo presa num mundo de fantasias em que não há expectativas e onde o improviso é essencial à sua sobrevivência. E por viver nesse mundo tão cheio de liberdade, acabo me controlando para agir da mesma maneira aqui fora. Às vezes me perco, às vezes me encontro, mas nunca sei de fato em que mundo estou vivendo. Por isso, nem por uma fração de segundos me chame de mentirosa, sou apenas mais uma vítima dos meus próprios devaneios desmedidos. Trancafiar-se na própria mente para fugir de toda a verdade assassina que assombra os momentos mais vulneráveis de desilusão é sempre o mais seguro, o mais confortável a se fazer mesmo que isso custe a aceitação da sua própria ignorância. Se eu simplesmente devorasse cada pedaço seu com o mesmo ímpeto e ânsia com que destôo essa palavras incontroláveis da minha mão, talvez o eco que habita meus medos mais infantis, além de me manter viva, sucumbiria sobre todos os meus pecados que ardem na minha pele e se alimentam de mim a cada vez mais que me afasto deles. E assim, estaria completamente livre da dor incumbida não só da oportunidade perdida, mas também da possibilidade evitada.

Rock me baby!